segunda-feira, 17 de abril de 2017
Giordano Bruno
Giordano Bruno nasceu em Nola (perto de Nápoles), em 1548, e morreu em
Roma, a 17 de fevereiro de 1600. Discípulo do filósofo Franscesco Patrizi,
membro da Academia Florentina, ingressou na Ordem dos Pregadores aos 17 anos de
idade, lá permanecendo por dez anos, chegando a ser ordenado sacerdote e a
receber o grau de doutor em Teologia em 1575.
Acusado de heresia, Bruno abandonou a ordem e se refugiou no norte da
Itália, onde passou a ensinar. Sempre perseguido, viaja pela Suíça (onde se
converte ao calvinismo para abandoná-lo pouco depois), Inglaterra, França,
Alemanha, voltando a Veneza em 1592.
Em Londres, dedicou-se a ensinar na Universidade de Oxford, onde
ministrou aulas sobre a cosmologia de Nicolau Copérnico, atacando o sistema
aristotélico. Depois de várias discussões, abandonou Oxford e rumou para a
França, onde, em 1585, após um debate público no Colégio de Cambrai, foi
ridicularizado, atacado fisicamente e, por fim, expulso do país.
Nos cinco anos seguintes viveu em inúmeras cidades - Marburgo, Mainz,
Wittenberg, Praga, Helmstedt, Frankfurt e Zurique -, dedicando-se a escrever
sobre cosmologia, física, magia e a arte da memória. Demonstrou, mesmo
utilizando um método errado, que o Sol era maior que a Terra.
Já em Veneza, denunciado pelo nobre Giovanni Moncenigo, é novamente
acusado de heresia e preso pelo Santo Ofício. Reconhece os seus erros e parece
livrar-se da fogueira. Mas, a pedido do papa, as autoridades venezianas, depois
de alguma hesitação, o entregam ao tribunal da Inquisição de Roma. Fica
encarcerado durante sete anos, negando-se a abjurar suas doutrinas, das quais
não se retrata. Foi queimado em 1600.
Deus e matéria: uma
mesma substância
Segundo as palavras do próprio Bruno sobre suas leituras, ele ficara
fascinado por Heráclito, Parmênides, Demócrito, Lucrécio e Plotino, entre os antigos; e,
entre os modernos, pelo "onisciente" Raimundus Lullus, o
"magnânimo" Nicolau Copérnico e o "divino" Nicolau Cusano
(ou Nicolau de Cusa).
Bruno defende a infinitude do universo, como um conjunto dinâmico que se
transforma continuamente, do inferior ao superior, e vice-versa, num movimento
constante, por ser tudo uma só e mesma coisa, como manifestação da vida
infinita e inesgotável. Como o universo, também Deus é infinito, sendo-lhe
imanente e transcendente ao mesmo tempo, sem nenhuma contradição, pois os
opostos acabam por coincidir no infinito.
Para Bruno, o universo é uma coisa viva, todo ele regido por uma mesma
lei, sendo Deus a mônada das mônadas (espécies de átomos orgânicos e viventes),
que compõem o organismo do mundo. Deus está presente por toda parte, como poder
infinito, sabedoria e amor, cabendo aos homens adorar toda essa infinitude com
entusiasmo, numa unidade das crenças religiosas, além de qualquer dogma
positivo.
A metafísica de Bruno pode ser denominada de monista, pampsiquista e
para-materialista, sendo que ele concebe Deus como alma e princípio ativo do
mundo - e a matéria como princípio passivo. Deus e matéria nada mais são,
portanto, do que dois aspectos da mesma substância.
Depois de um longo período de esquecimento, por cerca de dois séculos,
Giordano Bruno foi redescoberto nos fins do século 18 e começo do 19, através
do pensamento dos românticos alemães, não sendo pequena a dose de sua filosofia
nas ideias de Goethe.
Enciclopédia Mirador Internacional//La biblioteca ideale di Giordano
Bruno
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